Transtorno de ansiedade - ClinicaFares

Transtorno de ansiedade

14 de dezembro de 2016

Transtorno de ansiedade: “minha cabeça não desliga”

Conforme o tempo passa, as responsabilidades aumentam. Temos o trabalho, o relacionamento em casa, filhos, contas… uma avalanche de motivos de preocupações. Mas, quando o excesso de preocupação assume o seu dia-a-dia, a sua vida, é neste momento que a ansiedade pode deixar de ser uma aliada, para virar um problema.

Isso mesmo! Inicialmente aliada, a ansiedade faz com que possamos nos mover para melhorar de vida (estudar, trabalhar, estabelecer relacionamentos, etc.) ou para evitar um mal maior (quem nunca mudou de calçada ao vislumbrar um possível assalto, só de sentir um frio na barriga?). Neste sentido, a ansiedade é, sim, uma aliada, pois nos favorece, tanto para progredirmos como pessoas, como para nos proteger de possíveis perigos. Mas, quando a ansiedade pode se tornar um problema?

shutterstock_363225650A ansiedade se transforma em um transtorno quando ela gera prejuízos na vida da pessoa. Um exemplo típico seria o de uma filha que fica preocupada o tempo inteiro com saúde de sua mãe, que é diabética. Esta filha, ao ficar preocupada o tempo todo, não dorme com facilidade, acorda cansada  ficando assim irritada no trabalho, o que diminui concentração e por consequência seu rendimento no trabalho. Esta diminuição do rendimento gera por sua vez exigência maior do chefe, o que aumenta a ansiedade desta mulher. Gerando um ciclo vicioso sem fim. Outro tipo de prejuízo pode ser quando a pessoa fica tão ansiosa a ponto de não conseguir parar de pensar nos problemas (e não somente neles, mas em muitas coisas que podem nem ser tão problemáticas assim, mas que, na cabeça da pessoa ansiosa, acaba se transformando em um sem-fim de assuntos a resolver). Esta sensação de que a “cabeça não desliga”, gera um cansaço crônico, dificuldade de relaxar para dormir, irritabilidade, o que mais uma vez pode trazer um novo ciclo de sintomas que se perpetuam.

E existem casos em que a ansiedade toma uma proporção tão grande no dia-a-dia da pessoa, que dificulta a mesma de sair de casa, necessitando por vezes estar acompanhada de alguém, pois se não estiver acompanhada pode desenvolver crises de pânico.

A grande dificuldade é que muitas vezes estas pessoas não procuram tratamento, pois acham que é “normal” viver assim, ou que “faz parte” da vida das cidades, ou da mãe moderna, viver com essas tensões.

O primeiro passo é entender que não há necessidade de tanto sofrimento assim! Que vale a pena tentar diminuir o sofrimento, sendo necessário reconhecer que é possível diminuir esse peso gerado pela ansiedade. Para assim, ter uma melhor qualidade de vida, pois o peso da ansiedade gera muita dor ( podendo ser não somente dor física, mas também “dor da alma”).

Então, como tratar um transtorno de ansiedade? Recomenda-se um estilo de vida que inclua atividade física regular, alimentação equilibrada e sem excessos, além de evitar consumo de altas quantidades de café, álcool, entre outras substâncias. Fora isso, técnicas de relaxamento como ioga podem ser ferramentas importantes para diminuir a ansiedade.

Além disso, o suporte de um psicólogo e de um psiquiatra são fundamentais, tanto para avaliar o grau de comprometimento trazido pelo quadro ansioso, quanto para oferecer tratamento – seja via psicoterapia (geralmente com a ajuda do psicólogo), seja com a ajuda de medicação (prescrita pelo psiquiatra). 

E aqui vale lembrar: a terapia e a medicação poder atuar de maneira isolada e resolver o problema, mas o tratamento mais eficaz costuma ser a combinação de psicoterapia com medicação. Geralmente casos mais leves podem não necessitar de medicação, mas essa decisão é feita em conjunto entre o paciente e o psiquiatra, levando em consideração a gravidade dos sintomas (como eles afetam o dia-a-dia do paciente) e também entendendo que o paciente pode ter voz e poder de decisão sobre seu tratamento (ele não é obrigado a aceitar a imposição de uma medicação, precisa haver uma reflexão sobre a indicação do tratamento).

Nem toda medicação gera dependência (ou seja, nem sempre a medicação vicia), e este entendimento é fundamental pois muitas pessoas deixam de procurar tratamento já que pensam que o psiquiatra irá prescrever uma medicação que vá viciar o paciente. Este tipo de percepção mantém várias pessoas afastadas de uma possível melhora, pois se não procuram tratamento, continuam com prejuízos em suas vidas, por causa de um transtorno de ansiedade.

Portanto, recomendo que pare uns minutos de seu dia-a-dia, e se pergunte: “minha ansiedade está me atrapalhando no meu dia-a-dia?” Se a resposta for sim, considere procurar ajuda de um psicólogo ou de um psiquiatra, pelo menos para melhor esclarecimento. Tenha certeza que, diante de um quadro de ansiedade importante, uma ajuda profissional pode trazer esperança e alívio, o que acaba sendo um refresco em dias tão pesados como os de hoje.

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                                                                                                                                 Dr. Enrique José Ortellado Rosty – Psiquiatra da Unidade Vila Nova Cachoeirinha – CRM:142186
Posted in neurologia, psiquiatria by Clinicafares
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