Diferença entre intolerância e alergia à lactose - Clinica Fares

Diferença entre intolerância e alergia à lactose

15 de dezembro de 2016

Como diferenciar intolerância à lactose de alergia à proteína do leite de vaca?

A intolerância à lactose e a alergia à proteína do leite de vaca (APLV) são doenças diferentes, apesar de muito confundidas no dia a dia.

shutterstock_207795133As pessoas com intolerância à lactose não produzem quantidades suficientes de uma enzima (chamada lactase) capaz de digerir a lactose, que é o açúcar do leite.

Já a APLV (alergia à proteína do leite de vaca) é uma reação do sistema imunológico, que age de forma exagerada quando entra em contato com proteínas do leite (ex: caseína, alfalactoalbumina, betalactoglobina). Portanto, a expressão “alergia à lactose” não é adequada, pois alergia é uma reação às proteínas e a lactose não é proteína, é um tipo de açúcar.

A intolerância à lactose não é tão comum em bebês, acomete mais crianças maiores, adolescente e adultos, inclusive de forma temporária após episódios de diarréia prolongada.

Os sintomas são apenas intestinais, como diarréia, vômitos, distensão abdominal (barriga estufada) e ocorrem cerca de meia hora a duas horas após a ingestão de leite ou derivados. Portanto, não podemos atribuir sintomas de pele, dores de cabeça ou sintomas respiratórios à intolerância à lactose.

Há pessoas intolerantes que só apresentam desconforto com ingestão do leite propriamente dito, mas toleram derivados como bolos, queijos, iogurtes, bolachas. Mas há indivíduos mais sensíveis que terão sintomas tanto com pequenas quantidades de leite como com os derivados.

A  APLV acomete mais crianças, podendo se manifetar desde os primeiros meses de vida. Por se tratar de uma reação imunológica os sintomas são variados, podendo ocorrer imediatamente após ingestão de alimentos com leite ou até dias após. Podem acometer a pele (urticária, angioedema, piora de dermatite atópica), o sistema digestivo (vômitos, cólicas, prisão de ventre, diarréia com sangue etc), o sistema respiratório (chiado, falta de ar, coriza, osbtrução nasal).

O quadro mais grave relacionado à APLV é a anafilaxia, onde mais de um sintoma acontece simultaneamente podendo culminar com falta de ar, sufocamento, queda de pressão ou até desmaio. As reações desencadeandas pelas proteínas do leite são reprodutíveis, isto significa que um paciente realmente alérgico terá sintomas sempre que ingerir as proteínas, independente da quantidade. Portanto, se a pessoa tem sintomas com grandes quantidades de leite, mas consegue consumir um pouco do mesmo, provavelmente não tem APLV.

Na suspeita inicial de reações relacionadas ao leite o médico deverá ser procurado. Uma história clínica detalhada é fundamental para elaboração da hipótese diagnostica e definição de quais exames complementares serão necessários.

As mães que amamentam não devem interromper o aleitamento sem a avaliação de um especialista. O leite materno é o principal alimento oferecido ao bebê e deve ser mantido.

Raramente os bebês terão intolerância à lactose em aleitamento exclusivo, mesmo o leite materno contendo lactose, ele naturalmente contém substâncias que facilitam a sua digestão. Já para os casos de APLV o aleitamento é mantido, mas uma dieta restrita em leite e qualquer derivado deve ser instituída para a mãe , já que a criança não pode receber nenhuma quantidade de proteína do leite.

Se a criança não mama mais no peito, ela que deverá fazer a dieta com exclusão e não mais a mãe. Portanto, receberá uma fórmula especial que substituirá o leite de vaca tradicional, esta fórmula será prescrita pelo médico de acordo com a idade da criança e com os sintomas apresentados. Um cuidado importante com os pacientes APLV é evitar contato com produtos cosméticos que apresentem leite em sua composição (sabonetes, hidratantes).

Os rótulos de todos os cosméticos, alimentos (principalmente industrializados) e até medicamentos devem ser lidos para verificar presença de proteina de leite ou derivados (caseína, caseinato, soro de leite ou proteínas do soro).  Os produtos alimentícios produzidos a partir de julho de 2016 precisam conter na embalagem alertas para pessoas alérgicas. O aviso no rótulo é obrigatório para 18 itens, incluindo leite, soja, amendoim, peixes, ovos e castanhas.

Já para os intolerantes à lactose a exclusão de derivados de leite não precisa ser completa, apenas deve-se observar qual quantidade o indivíduo consegue digerir. Em crianças menores de dois anos podem utilizar fórmulas especiais isentas de lactose. Acima de dois anos produtos com baixo teor de lactose são bem tolerados.

Independente da doença, caso a criança realmente necessite de uma dieta com restrição de leite, é preciso verificar se ela está recebendo todos os nutrientes de que precisa. O cálcio, por exemplo, pode ser obtido em verduras e em produtos industrializados enriquecidos com a substância, como cereais. Outros nutrientes normalmente fornecidos pelo leite são as vitaminas A e D, a riboflavina e o fósforo, portanto, a suplementação poderá ser necessária.

Felizmente, a maioria das crianças com APLV ficarão tolerantes a esta proteína com o passar do tempo, mas esta avaliação deve ser feita pelo médico, de forma alguma deve-se testar a alergia na criança oferecendo alimentos para avaliar possíveis sintomas.

A intolerância à lactose tem uma evolução mais favorável que a APLV, pois não causa sintomas graves com risco de anafilaxia e ainda permite que a maioria dos pacientes possa ingerir boa quantidade de derivados do leite de vaca.

                                                                                         Texto por: Dra. Ana Príscia Castro – Alergologista e Imunologista – Unidade Vila Nova Cahoeirinha – CRM: 126799 ana_priscia

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