Doença das gengivas e Doença cardíaca: como elas podem estar ligadas?

Doença das gengivas e Doença cardíaca: como elas podem estar ligadas?

3 de agosto de 2017

Os dentistas e os cardiologistas concordam que existe uma ligação muito forte com a saúde dentária e a saúde do coração. Recentemente, mais de 120 estudos médicos mostraram que a presença de bactérias específicas e suas combinações nos espaços entre os dentes e as gengivas pode explicar a aparente relação entre doença periodontal e síndrome coronariana aguda (SCA).
O estudo também destacou que a doença das gengivas é, por si só, um fator de risco para a doença arterial coronariana. Dados de um estudo com mais de 50 mil pessoas apontaram que pessoas com menos dentes e mais doenças da gengiva apresentaram maior risco de AVC. Outros estudos indicam ligação direta entre as artérias entupidas nas pernas e a doença das gengivas.
Essa ligação pode ser explicada de duas maneiras: a primeira, é que as bactérias presentes na gengiva são capazes de liberar toxinas enviadas diretamente para a corrente sanguínea e contribuem para a formação de placas de gorduras nas artérias.Esse entupimento pode levar o paciente a ter problemas sérios, tais como os coágulos, responsáveis por possíveis bloqueios do fluxo sanguíneo.
A segunda é que essas bactérias estimulam o fígado a produzir altos níveis de proteínas ocasionando a inflamação de vasos sanguíneos. Essa inflamação possivelmente pode levar o paciente a ter um ataque cardíaco ou um acidente vascular cerebral (AVC).
Entretanto, é importante lembrar que as bactérias encontradas em ambos os problemas de saúde (boca e coração) são semelhantes. As bactérias encontradas na doença das gengivas também estavam presentes nos vasos sanguíneos com aterosclerose, que é o enrijecimento das artérias.
Portanto, a inflamação é outro denominador comum para ambas as doenças. Quando as pessoas possuem uma gengivite de moderada a severa, seus níveis de proteína C-reativa (PCR), aumentam, causando uma reação em todo o corpo. O nível de PCR é usado para avaliar o risco de ataque cardíaco em uma pessoa, nesse sentido, é importante que os dentistas informem seus pacientes com gengivite sobre o risco de problemas cardíacos e dos vasos sanguíneos.
Outro ponto importante a se destacar é o trabalho em conjunto do cardiologista e do dentista, para reduzir o risco da doença cardíaca e garantir o sucesso no tratamento para o combate da doença. Ainda vale ressaltar que os pacientes cardíacos também podem apresentar sinais ou sintomas de doenças da gengiva. Esses sintomas devem ser verificados pelo cardiologista que posteriormente deverá solicitar uma avaliação periodontal.
Por isso, esteja atento a saúde da sua boca e do seu coração. Caso identifique algum sinal anormal nas gengivas ou algum sintoma cardíaco, busque ajuda de um profissional para a melhor avaliação de tratamento da doença.

dr.Marcelo Ferreira - Cardiologista

Marcelo Ferreira

Cardiologista

CRM: 78153

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