Entenda sobre o hipotireoidismo na criança

Entenda sobre o hipotireoidismo na criança

27 de dezembro de 2017

O hipotireoidismo é uma disfunção na tireóide caracterizada por baixa produção dos hormônios tireoidianos (HT) T3 e T4.

Pode surgir ainda dentro do útero e se manifestar já no recém-nascido (RN), ou ser adquirida em qualquer fase da vida.

Os HT atuam em praticamente todos os tecidos do organismo e na manutenção do metabolismo basal.

São verdadeiros fatores de crescimento e, na sua deficiência, o crescimento da criança é prejudicado, mesmo que a produção de hormônio de crescimento seja normal.

Os HT interferem no metabolismo dos carboidratos e lipídios. Baixa produção de HT acarreta aumento dos níveis de colesterol e triglicerídeos.

O HT é essencial para o desenvolvimento do sistema nervoso central (SNC), e a deficiência não tratada, nos recém-nascidos, pode levar a atraso intenso e definitivo no desenvolvimento neuropsicomotor.

Os sinais mais precoces de hipotireoidismo no recém-nascido são: icterícia prolongada ou recorrente, atraso na queda do funículo umbilical e hérnia umbilical. O choro é rouco e os sons emitidos são graves.

Nos primeiros meses, outros sinais tornam-se presentes: dificuldade alimentar, ganho de peso insuficiente, respiração ruidosa, congestão nasal, distúrbios respiratórios, obstipação, letargia, pele seca, fria, pálida e com livedo reticularis.

Entretanto, esses sinais nem sempre são evidentes, tampouco aparecem todos juntos, podendo atrasar o diagnóstico e o tratamento.

Daí a importância da realização do teste do pezinho para o diagnóstico precoce da doença, quando congênita.

Quando o hipotireoidismo é adquirido, com início mais tardio, o retardo mental pode ser menos evidente, porém o crescimento será afetado e estas crianças terão atraso da maturação óssea.

No adolescente, o hipotireoidismo pode exteriorizar um quadro clínico de evolução mais lenta, com fadiga, dificuldades escolares, obstipação intestinal, pele e cabelos secos, queda de cabelo, unhas quebradiças, intolerância ao frio e apetite diminuído, ressaltando-se que a obesidade não é característica do hipotireoidismo. As meninas podem apresentar irregularidades menstruais.

Quando não tratado, o hipotireoidismo leva a alterações físicas mais profundas. A pele torna-se cérea, pálida ou amarelada. Pode surgir o mixedema que, nos casos mais graves, pode atingir a musculatura cardíaca, ocasionando aumento de volume e até derrame pericárdico.

Outras alterações endócrinas podem acompanhar o hipotireoidismo. O adolescente pode apresentar atraso no desenvolvimento da puberdade. Paradoxalmente, alguns podem apresentar puberdade precoce.

Como os efeitos da deficiência são sistêmicos, o hipotireoidismo deve ser sempre tratado através da reposição com levotiroxina. As doses são reajustáveis conforme evolução clínica e exames laboratoriais.

Na dúvida consulte seu pediatra de confiança, ele é quem melhor poderá lhe ajudar!

Dra. Ana Claudia de Souza Rodrigues

Especialista em Pediatria, Endocrinologia infantil e Membro do Corpo Clínico da Clínica Fares

CRM 29738

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