Soluço é sempre algo normal?

Soluço é sempre algo normal?

5 de janeiro de 2018

Definições

O soluço corresponde à contração muscular involuntária e intermitente dos músculos respiratórios intercostais e do diafragma resultando em uma rápida inspiração e terminando com o fechamento abrupto da glote, impedindo o influxo de ar e produzindo um som característico.

Fenômeno, usualmente, benigno e transitório, os soluços acometem qualquer indivíduo, sem distinção de etnia, idade ou gênero, e não causam repercussões clínicas importantes.

Em contrapartida, nos casos persistentes ou refratários, podem desencadear efeitos adversos significativos, como desnutrição, perda de peso, fadiga, desidratação, insônia e deiscência de feridas. Esse tipo de soluço também pode refletir a presença de doença de base grave.

Durante a consulta

Com base no conhecimento dos diagnósticos diferenciais, a história clínica, associada ao exame físico, poderá definir a investigação da possível causa envolvida no soluço.

Alguns questionamentos devem ser feitos e as informações são de suma importância, devendo ser fornecidas ao médico.

Por exemplo:

Há quanto tempo ocorre o soluço? Em casos recorrentes com duração menor de 48 horas, é considerado transitório. O tipo persistente é definido por episódios recorrentes com mais de 48 horas e menos de 1 mês de duração. Já o tipo refratário compreende os episódios repetitivos com duração de 2 meses.

Tem associação com algum sintoma do trato gastrointestinal alto? Informar se há queimação epigástrica, pirose e empachamento. Boa parte dos casos de soluço tem relação com distúrbios deste sistema.

Existe dor associada? Dor abdominal que irradia para os ombros pode indicar irritação diafragmática e deve ser investigada.

Há algum sintoma sugestivo de doença psiquiátrica? De modo geral, sintomas de ansiedade podem estar associados ao soluço. Dica: soluços noturnos não se associam às causas psicogênicas.

Existe histórico de uso de álcool ou outras drogas, cirurgia torácica, abdominal ou neurológica prévia? Alterações metabólicas ou anatômicas podem cursar com soluço.

Causas

Conforme já descrito acima, separamos didaticamente as causas de soluço conforme sua classificação.

Soluços transitórios:

Geralmente, causados por distensão gástrica em razão da ingestão de bebidas gaseificadas, aerofagia, insuflação gástrica durante endoscopia. Outras causas podem incluir alterações no ambiente/temperatura, tabagismo, ingestão excessiva de álcool, ansiedade e estresse emocional.

Soluços persistentes e refratários:

Há uma centena de causas relacionadas, sendo divididas entre: (a) irritação dos nervos frênico e vago, (b) doenças do sistema nervoso central, (c) doenças tóxico metabólicas e (d) fatores psicogênicos.

Em relação ao grupo (a), podemos citar a possibilidade de corpo estranho em contato com a membrana timpânica, podendo irritar o ramo auricular do nervo vago, além de faringite, laringite, tumores de pescoço estimulando o nervo laríngeo recorrente, que é ramo do nervo vago. Podemos também citar bócio, massas mediastinais, anormalidades do diafragma, refluxo gastroesofágico, hérnia hiatal, eventração diafragmática, abscesso subfrênico, dentre outros.

Já o grupo (b) pode incluir processos neurológicos infecciosos, vasculares e estruturais, ocorrendo uma liberação da inibição normal do reflexo do soluço.

O grupo (c) compreende a uremia (aumento da ureia), intoxicação alcoólica e anestesia geral. Fatores psicogênicos do grupo (d) incluem ansiedade, excitação, distúrbio hipocondríaco, estresse e outros transtornos da ansiedade.

Além da investigação laboratorial, exames de imagem podem ser indicados pela equipe clínica. Possibilita-se também a inclusão de endoscopia e tomografias de setores selecionados conforme queixas, questionários e exame físico.

O tratamento é variável conforme a causa do soluço. Existem medidas gerais que podem ser indicadas durante avaliação clínica, assim como medidas específicas que compreendem o tratamento baseado na etiologia da queixa.

De um modo geral, a queixa de soluço sempre deve ser investigada. Não ignore este sinal de alerta do seu organismo. Uma abordagem inicial e multidisciplinar precoce pode fazer total diferença.

Procure seu médico para maiores esclarecimentos.

Dr. Thiago D’Alvia

Título de especialista em Clínica Médica pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica

Membro associado da Sociedade Brasileira de Clínica Médica

Membro associado da Associação Brasileira de Medicina de Urgência e Emergência

Membro do Corpo Clínico da Clínica Fares

 

Posted in clínica geral by Clinicafares | Tags: , ,
Optimization WordPress Plugins & Solutions by W3 EDGE