A dificuldade escolar como um alerta para saúde infantil-juvenil

A dificuldade escolar como um alerta para saúde infantil-juvenil

5 de abril de 2018

É possível notar que há um aumento recente na incidência de problemas comportamentais e de aprendizagem como um todo em crianças e adolescentes.

Isso reflete no aumento do número de queixas escolares e convocação de pais e responsáveis junto às Instituições de ensino.

A presença de problemas comportamentais representam alto risco para o baixo rendimento escolar e é um importante alerta para identificação de questões emocionais mal elaboradas e possíveis  transtornos.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), uma em quatro famílias tem pelo menos um membro que sofre de um transtorno mental ou comportamental.

A identificação precoce de transtornos mentais e comportamentais é fundamental para melhor direcionamento do tratamento adequado.

Na fase escolar, o diagnóstico orienta pais e professores para a melhor prática junto à criança e ao adolescente.

Um transtorno ou distúrbio que não é identificado e tratado pode gerar ansiedade na criança, cobranças excessivas por parte dos responsáveis e aumento da incidência de outras psicopatologias associadas, como por exemplo, Transtorno de Ansiedade Generalizada, Quadros Depressivos, Reação Aguda ao Estresse, entre outras.

De modo geral, os problemas de aprendizagem podem impactar na vida social da criança e do adolescente, uma vez que, frequentemente existe o isolamento por parte dos colegas e, por vezes, da própria criança que não sabe lidar com suas emoções diante da rejeição.

Este aspecto pode influenciar a vida adulta do indivíduo de uma forma extremamente negativa.

O papel dos professores e tutores é essencial a medida que a fragilidade existente, muitas vezes, é intensificada pelo comportamento dos colegas e de alguns profissionais que, sem entenderem as limitações do indivíduo, expressam sua impaciência e aumentam a cobrança acima daquilo que eles não conseguem responder.

Em alguns casos a dificuldade se apresenta como consequência de problemas familiares, de âmbito emocional e afetivo.

É preciso que haja um tratamento profundo com a família e envolvidos, pois, muitas vezes, a criança é a porta voz da desfuncionalidade no lar.

Deve haver por parte de todos os envolvidos o incentivo à construção da auto estima e autoconfiança da criança, que precisa reconhecer seus potenciais e fragilidades como algo natural da existência humana.

O tratamento especializado varia de acordo com o diagnóstico e conta, geralmente, com processo de psicoterapia, acompanhamento neurológico e, algumas vezes, psiquiátrico.

Com o suporte necessário, as dificuldades podem ser diminuídas e o jovem pode aprender a lidar com suas fraquezas.

Com isso, o rendimento escolar pode ter um aumento significativo junto da melhora no padrão comportamental.

Uma criança amparada e bem conduzida pode desenvolver um novo olhar a respeito de si e da sua atuação no mundo e, com isso, criar a sua maneira de alcançar a felicidade e o sucesso.

Dra. Andréia Aparecida Bento

Psicóloga e Membro do Corpo Clínico da Clínica Fares

CRP: 06/105323

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