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12 de agosto de 2019 0

O que é o balão intragástrico?

É uma prótese de silicone que é implantada por endoscopia, sem cortes ou cirurgias e que ficará posicionado na região do estômago onde a comida fica habitualmente acomodada, durante o processo de digestão.

O Balão fará com que o paciente coma em menor quantidade e já sinta uma saciedade precoce, como se tivesse comido bem mais do que realmente comeu. Dessa forma o paciente tem a oportunidade de realizar uma reeducação alimentar e mudança de hábitos, ao longo do tratamento (6 ou 12 meses).

Dá para perder peso?

A maioria dos estudos apontam que o balão intragástrico proporciona uma perda de 10 a 20% do peso total, sendo uma média de 15-18% de perda de peso.

Esta perda de peso tanto pode ser menor quanto maior, por diversas vezes há pacientes que perderam bem mais que essa média estimada. Essa variação acontece por devidos fatores como: idade, sexo, metabolismo, mas com certeza o principal fator de sucesso para o tratamento é a disciplina em seguir as orientações da equipe multidisciplinar.

As indicações são os profissionais: nutricionista, educador físico e psicóloga. O paciente que segue de forma criteriosa as orientações desses profissionais são os que melhor respondem ao tratamento. Lembro que o balão não é um emagrecedor, mas sim um grande facilitador que vai te proporcionar uma saciedade precoce e facilitar os novos hábitos alimentares e de vida que você terá que seguir para a vida.

Como se adaptar com o balão?

Os primeiros 3 a 5 dias após a implantação do balão é a fase mais difícil do tratamento e se caracteriza por uma fase muito sintomática em que o paciente pode apresentar muitas náuseas, vômitos e dores abdominais.

Chamamos esse período de fase de adaptação, uma vez que o organismo reconhece o balão como um “corpo estranho” e inicia uma serie de tentativas de expulsá-lo, fazendo contrações em suas paredes.

Os sintomas são os reflexos dessas contrações e tentativa de expulsão da prótese. O paciente sairá do procedimento de implantação com várias medicações prescritas para minimizar esses sintomas, bem como uma carta de encaminhamento para realização de hidratação e medicações sintomáticas por via intravenosa, se necessário for.

Durante essa fase, o médico precisa estar bem próximo do paciente para retirar todas as suas dúvidas e encorajar e estimulá-lo a suportar bem esse período.

Apesar de todos os pacientes passarem por essa fase, a resposta de cada organismo é muito variável, uns pacientes toleram bem enquanto outros toleram menos e alguns chegam até o ponto de pedir para retirar o balão.

Apenas de 1 a 3% dos pacientes desistem do tratamento e pedem para o médico retirar o seu balão. Alguns pacientes nos questionam se isso é uma rejeição do organismo. A resposta é não, porque o balão não é implantado dentro da parede do estômago, mas sim fica dentro da câmara gástrica (estômago) igual tudo que ingerimos, dessa forma não existe rejeição ao balão, mas sim maior ou menor tolerância do organismo em se adaptar ao dispositivo.

Complicações e contraindicações

As contraindicações que impossibilitam a implantação do balão intragástrico estão basicamente relacionadas a algumas condições presentes no estômago do paciente, como por exemplo: ulceras gástricas ou duodenais, hérnia de hiato extensa, varizes de esôfago ou estômago, tumores, doenças gástricas inflamatórias (ex: doença de Cohn), bem como algumas situações clínicas que impossibilitem o procedimento endoscópico (ex: doença cardio-pulmonar grave).

Gravidez também é uma contraindicação ao tratamento, uma vez que o dispositivo pode prejudicar ganho de peso do bebê, após o primeiro trimestre.

Dessa forma o paciente necessita realizar uma endoscopia digestiva alta para ter a certeza que seu trato gastrintestinal superior está apto para receber o balão. Esta endoscopia pode ser realizada no dia da implantação, imediatamente antes da colocação, ou previamente, conforme desejo do paciente.

Já as complicações com o tratamento do balão intragástrico é algo muito raro, porém factíveis de acontecer.

Tenham o cuidado de realizar o procedimento com profissionais que sabem lidar com essas situações para que a melhor conduta seja tomada, o mais breve possível, evitando-se assim problemas maiores.

Entre as principais complicações do Balão, destaco: hiperinsuflação, abertura de úlceras, sangramentos digestivos, pancreatites, insuficiência renal aguda, isquemia de parede gástrica, perfuração e até óbito. Embora muito raras, o seu médico precisa sempre estar bem preparado para saber conduzir essas situações de complicações.

Qual o melhor balão para você?

Atualmente temos disponíveis 03 tipos de Balões intragástricos no mercado. Sendo eles: O balão líquido de 6 meses, o balão de ar e o balão líquido ajustável de 12 meses. Cada balão tem suas particularidades, vantagens e desvantagens.

O balão líquido de 6 meses é o balão que está há mais tempo no mercado, sendo o que melhor temos conhecimento sobre seus resultados, manejo e intercorrências. Ele é preenchido com 400 a 700 ml de líquido (Soro fisiológico + azul de metileno) e por não ser ajustável, seu volume não pode ser alterado durante o tratamento. Portanto, se o paciente não tiver tolerando o mesmo durante a fase de adaptação, só temos a possibilidade de retirá-lo, assim como se após os primeiros 3 meses de tratamento, em que a perda de peso normalmente diminui, não é possível aumentar o seu volume.

O balão ajustável de 1 ano é um balão mais novo e ele além de permitir um tempo maior de tratamento, também permite que o seu volume possa ser ajustável durante o tratamento. As principais vantagens desse balão é permitir um tratamento mais prolongado, diminuindo dessa forma os índices de reganho de peso após a sua retirada, mas a sua principal vantagem é a possibilidade de ajustar o seu volume, tanto para menos, permitindo melhor adaptação na fase inicial do tratamento, quanto para mais, permitindo otimizar a perda de peso no final do tratamento.

A sua principal desvantagem é o maior risco de complicações como abertura de úlceras no estômago, devido ao fato da válvula externa, que permite o ajuste, ficar fazendo “atrito” na parede do estomago. Dessa forma o acompanhamento desse balão precisa ser bem mais próximo ao médico.

O balão de ar de 6 meses foi recentemente reintroduzido no mercado. Seu principal mecanismo de ação é ocupar espaço no estômago, uma vez que o balão não faz “peso”, porém ele permite ocupar mais espaço no estômago. Sendo ideal para pacientes que apresentam intolerâncias aos sintomas de náuseas e vômitos. Sua principal vantagem é ser melhor tolerado, uma vez que os sintomas da fase de adaptação são mais brandos. A sua principal desvantagem é o fato de o balão não ter o marcador (azul de metileno) em caso de rompimento (raríssimo) e dessa forma o controle da sua localização é apenas por radiografia.

Saiba mais

O balão intragástrico deve permanecer no organismo por 06 ou 12 meses, a depender da marca e recomendação dos seus fabricantes. O balão tradicional de 6 meses pode permanecer por até 8 meses, se o paciente estiver seguindo bem o plano alimentar e não estiver tendo sintomas, porém o fabricante encerra a sua garantia no aniversário de 6 meses da implantação do mesmo. Após esse período, ao retirar o balão, o paciente necessitará seguir os novos hábitos de vida e nutricionais em que foram aprendidos com a equipe multidisciplinar, ao longo de todo o tratamento.

É de extrema importância o acompanhamento com esses profissionais por pelo menos mais 6 meses após a retirada do balão, uma vez que o fato de cometer os mesmos erros alimentares do passado poderá implicar em um desagradável reganho rápido de peso.

Alguns pacientes perguntam se após a retirada do balão ele ficará com um “buraco” ou espaço desocupado no estômago? A resposta é não, uma vez que o estômago é um órgão “colabado” e elástico.

A tendência com o tratamento é a diminuição gradativa da ingesta alimentar, dessa forma o estômago também tende a diminuir o seu volume, uma vez que com a ingesta alimentar menor não existe mais a necessidade de um estomago maior.

Converse com o seu médico endoscopista e retire todas as suas dúvidas sobre o tratamento do balão intragástrico. Na Clínica Fares realizamos este tratamento, agende agora uma consulta com nosso endoscopista clicando aqui.

Dr. Túlio Medeiros
Coordenador médico da Endoscopia – ClÍnica Fares
CRM 132218