Disfagia: seus sinais e fases
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15 de dezembro de 2017 0

A alimentação é um momento muito especial do nosso dia. É muito gostoso sentar com nossa família, amigos, pessoas querias e comermos coisas gostosas, conversar e socializar.

Tanto que comida está envolvida em vários eventos sociais, é mais do que simplesmente nutrir nosso corpo, carrega emoções, sentimentos e prazeres.

Porém você já imaginou que se por algum motivo não pudéssemos mais comer? Tivéssemos que nos alimentar por sondas, gastrostomias ou se fossemos privados de comer ou beber aquilo que gostamos?

Pois é, isso pode acontecer com mais frequência do que você imagina. Você já ouviu falar de DISFAGIA?

A disfagia não é uma doença, mas sim um sintoma de que algo não está indo muito bem em relação ao corpo e afeta o padrão de deglutição (capacidade de engolir), levando a pessoa em risco de morte, em alguns casos.

A disfagia pode acometer pessoas de qualquer idade, desde recém-nascidos até idosos, e as causas podem variar desde prematuridade até doenças neurológicas, como AVC, Alzheimer, Parkinson, ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica) e alterações estruturais em região de cabeça e pescoço (como câncer de cabeça e pescoço, mutilações e/ou ferimentos por armas, entre outros).

A disfagia pode gerar uma sensação de alimento parado na garganta, coceira, falta de ar ao engolir, tosse, pigarro durante ou após a deglutição, engasgos, regurgitamento do alimento, entre outras.

Para entender melhor como acontece, os pesquisadores dividiram basicamente a deglutição em quatro fases, para facilitar a compreensão. São elas:

Fase preparatória: é quando o alimento está na boca, quando mastigando o alimento preparando-o para a deglutição.

Fase oral: nessa fase o alimento é posicionado na língua e inicia-se o processo de ejeção para o fundo da boca, iniciando a fase faríngea.

Fase faríngea: o alimento desce da faringe para o esôfago e ocorrem várias alterações na musculatura para o alimento não entrar no pulmão e “descer para o lugar errado”.

Fase esofágica: o alimento caminha do esôfago até o estômago.

Em cada uma dessas fases temos a participação de diversos músculos e nervos de forma sincrônica, todos trabalhando em seu tempo e no tempo exato, variando de acordo com o tipo de alimento, volume que colocamos na boca, consistência, temperatura e sabor.

Se houver falhas em qualquer momento em um músculo ou na sensibilidade de um nervo, o alimento pode tomar o caminho errado e ir parar nos pulmões em maior ou menos quantidade, colocando a saúde pulmonar e até a vida do paciente em risco.

Portanto, sempre que você se deparar com uma pessoa com mais de 70 anos, com alterações neurológicas ou físicas em região de cabeça e pescoço, leve-o ao um fonoaudiólogo, que é o profissional habilitado e capacitado para avaliar, identificar e reabilitar as disfagias.

Os principais sinais de atenção são:

Recusa de alimentos que necessitem de muita mastigação, mudança de consistência alimentar, tosse e/ou pigarro durante ou após as refeições, engasgos durante ou após as refeições, falta de ar ao se alimentar, sonolência excessiva após as refeições, cianose (manchas arroxeadas) em lábios e mãos durante as refeições, piora da voz ou dificuldade de falar após comer.

A disfagia tem tratamento com exercícios simples, evitando assim a suspensão da alimentação por via oral e os riscos associados à saúde!

Vivian Pardini Landulfo
Fonoaudióloga
CRFA 13.186