Precisamos falar sobre a depressão entre os jovens - Clinica Fares
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1 de agosto de 2017 0

A tristeza é algo que pode atingir a todos em qualquer momento da vida. As principais características são: choro; desânimo; angústia e, até mesmo, alguns sintomas físicos como aperto no peito e coração acelerado. Na maioria dos casos ela é passageira, principalmente em contato com experiências positivas. Em minhas consultas, sempre alerto os pais de que qualquer tristeza com mais de duas semanas de duração precisa de atenção redobrada.

Segundo dados do 2º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), cerca de 21% dos jovens com idade entre 14 e 25 anos possuem fortes indícios de depressão. As mulheres são as mais afetadas, representando 28% dos casos e, segundo os dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), a estimativa é que 350 milhões de jovens já sofreram ou sofrem com a doença.

O aumento desses casos têm feito os pais se preocuparem e muitas vezes questionarem como agir diante de um quadro como esse. Para achar as repostas, antes de tudo, precisamos aprender a diferença entre tristeza e depressão, tendo consciência que a primeira é um sentimento e a segunda é uma doença.  É fundamental para os pais buscar auxílio de um especialista, a qualquer sinal estranho ou no caso da tristeza persistente. A depressão tem sintomas que às vezes são confundidos com comportamento característico de adolescentes, dificultando a identificação.

As escolas e os professores também devem estar atentos aos sinais. É comum, em algumas situações, o adolescente manter uma postura superficialmente estável na presença dos familiares e um comportamento mais instável na escola. Caso isso aconteça, a instituição de ensino deve comunicar os responsáveis. Essa atitude é fundamental para ajudar o jovem em questão.

A depressão é uma doença causada por fatores externos, ou seja, situações e experiências de vida, fatores biológicos, como alterações hormonais, genéticas ou alteração na produção de neurotransmissores, responsáveis pela comunicação neural com nosso sistema límbico e, consequentemente, por nossa resposta emocional. Ou seja: o que para um pode gerar um trauma irreparável, para outro pode ser vivenciado com menos impacto, causando menos danos emocionais. Não existem regras neste sentido.

Por fim, é importante que pais e/ou responsáveis sejam sempre compreensíveis, demonstrem confiança, encorajem a prática de atividades de lazer ou esportivas e a vida social. É importante também evitar cobranças e frases como “é apenas uma fase”, “se esforce e você ficará bem” ou “existem pessoas com problemas maiores que os seus”. Abra espaço para conversas onde ambos possam expressar suas opiniões. Isso fortalece o relacionamento, incentiva e mostra ao jovem que ele está amparado e que sua doença tem cura.

Julianada Silva  Bento
Psicóloga
CFP – 111.368